Zootopia não é só um filme com bichinhos fofos

A animação Zootopia é uma dica muito boa para ir ao cinema com seus filhos. O filme não é daqueles entediantes, é engraçado e você vai perceber que ele toca em assuntos como preconceito, xenofobia, respeito às diferenças, minorias e até mesmo política sem ser chato, nem didático. 

Fui ao cinema ver Zootopia sem saber muito do que se tratava. Minha última experiência no cinema com minha filha foi Alvin e os Esquilos, um filme bobo, sem graça. Ainda bem que ela mesma pediu pra ir embora no meio da sessão. Melhor parâmetro que o infantil não há. Enfim, eu estava de pé atrás com Zootopia. Seria apenas um filme com bichinhos fofos? Sim, é uma animação com bichinhos fofos. Mas não é só isso.

Exemplo legal

A protagonista da animação é uma coelha chamada Judy Hopps. Desde pequena ela sonha em ser policial. Mas há percalços para que isso aconteça. Ela mora no interior e é uma menina. Além disso, nunca antes um coelho entrou para academia de polícia por lá. A polícia é cheia de touros, tigres, rinocerontes e elefantes. Só bicho grande. Mas a coelhinha é obstinada. Ela consegue. Quebra a cara algumas vezes, mas persiste, se aprimora. É um exemplo muito legal de personagem, ainda mais para quem é pai de menina.

Nem todo mundo é o que parece ser

No desenho predadores e presas vivem em harmonia. Situação bem diferente do passado. Mas mesmo assim os coelhos tem um pé atrás com as raposas. Quando Judy chega à cidade de Zootopia, ela conhece justamente Nick Wilde, um raposa malandro e que vive de aplicar golpes. Tudo indicaria que o melhor era ela se afastar dele. Mas Judy consegue a ajuda de Nick e descobre que ele pode ser um grande amigo. O filme mostra de maneira simples que prejulgar qualquer um por estereótipos pode ser uma mancada.



Hipocrisia na cidade  

A cidade de Zootopia é uma metrópole com fama de ter uma convivência harmônica entre todas as espécies. Mas há certa hipocrisia nisso tudo. Os bichos na verdade vivem cada um em seus nichos. Os hamsters tem uma cidade só pra eles, toda pequena. Os elefantes tem uma loja de picolés só pra eles. Lembra muito as comunidades de imigrantes em uma metrópole como Nova Iorque, por exemplo. Essa falsa relação harmônica vem à tona quando os predadores começam a ser vistos com maus olhos pelas presas, que são a maioria. Essa situação serve como uma crítica poderosa contra o discurso de ódio que vêm ganhando força nos dias de hoje. Assim como na animação, na nossa sociedade lideranças políticas também usam o medo e preconceito para ganharem força e votos.

Todos esses assuntos são tratados de forma cuidadosa na animação. O filme é entretenimento de primeira, com muito humor. A cena dos bichos-preguiça trabalhando no departamento de trânsito é imperdível. Mas é também uma boa pedida para tentarmos desconstruir prejulgamentos que temos. E evitar que nossos pequenos os tenham.